Itália à beira da paralisação obriga Meloni a reagir

Itália à beira da paralisação obriga Meloni a reagir

Giorgia Meloni convocou uma reunião de emergência para esta segunda-feira, para avaliar a situação, num cenário de perturbações no abastecimento de bens essenciais.

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
A imprensa italiana escreve que os distúrbios começaram no sábado, à margem de uma manifestação contra o custo de vida, mas estenderam-se também a outras cidades como Turim e Bolonha. Stringer, via Reuters

Os protestos contra o aumento do custo de vida deram origem a confrontos com a polícia em várias cidades italianas, enquanto que há camionistas a bloquearem algumas das importantes vias no sul do país.

A imprensa internacional explica que a reação surge para contestar a escalada dos preços dos combustíveis, associada à guerra no Irão.

Em Milão, centenas de manifestantes encapuzados envolveram-se em confrontos com as forças de segurança no domingo, depois de terem sido partidas montras e incendiados caixotes do lixo nas imediações da Piazza del Duomo. 
A polícia recorreu a gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar os manifestantes, alguns dos quais terão atirado pedras e saqueado estabelecimentos comerciais.

Os distúrbios, iniciados no sábado à margem de uma manifestação contra o custo de vida, estenderam-se também a Turim e Bolonha.

Segundo relatos da imprensa italiana divulgados na segunda-feira, mais de 200 pessoas foram detidas em Milão. Cerca de 80% seriam menores de idade, muitos dos quais terão respondido a convites difundidos nas redes sociais e partilhado imagens dos danos provocados.

Não havia indicações de que os envolvidos estivessem ligados a partidos políticos, organizações ou movimentos específicos.

Entretanto, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, anunciou uma reunião de emergência com os responsáveis pela segurança para esta segunda-feira, na sequência dos distúrbios. 

No sábado, a chefe do Governo condenou os responsáveis pela violência, acusando-os de aproveitarem as manifestações para provocar o caos. "Manifestar-se é um direito. Devastar nossas cidades não é", escreveu Meloni na rede social X.

A primeira-ministra classificou ainda os envolvidos como "criminosos que exploram manifestações para espalhar o caos, atacar aqueles que garantem a segurança e manter cidades inteiras como reféns".
Camionistas ameaçam avançar para greve nacionalEnquanto as autoridades procuram conter a violência nas cidades, o sul de Itália enfrenta perturbações no transporte rodoviário e no abastecimento. 
Os camionistas bloquearam estradas na Sicília, na Apúlia e na Calábria, provocando congestionamentos e dificultando a circulação de mercadorias.

A subida dos preços dos combustíveis está a aumentar a pressão financeira sobre as empresas de transporte, num contexto de agravamento do custo de vida. 

Em várias zonas, centenas de postos de abastecimento terão ficado sem gasolina ou gasóleo, levando os automobilistas a concentrar-se nos poucos estabelecimentos ainda em funcionamento.

Os efeitos estendem-se a outros setores: os supermercados começaram a reportar faltas de produtos, sobretudo alimentos frescos, e também foram assinaladas perturbações no abastecimento das farmácias. A prolongar-se, o bloqueio das estradas poderá agravar as dificuldades de distribuição de bens essenciais.

Pasquale Russo, presidente da Conftrasporto, associação que representa as empresas italianas de transporte rodoviário, pediu uma intervenção urgente do Governo.

"Estamos a pedir ao governo que convoque urgentemente uma reunião com as associações do setor. Caso contrário, consideraremos uma greve nacional", afirmou.

O responsável alertou ainda para a tensão crescente entre as empresas, provocada pelo aumento dos custos. 

"A situação é muito preocupante porque os aumentos excessivos de preços que afetam o setor de transporte rodoviário criaram uma situação de grande tensão entre as empresas de transporte, levando a protestos espontâneos em algumas áreas do país", acrescentou.Segurança no centro do debate político
Os acontecimentos voltam a colocar a segurança pública no centro da discussão política italiana. 

Desde que chegou ao poder, Meloni tem promovido medidas mais rigorosas nesta área, incluindo legislação dirigida à criminalidade juvenil e às chamadas gangues urbanas.

Em julho, o Governo aprovou um pacote legislativo conhecido como "anti-maranza", expressão coloquial italiana associada a grupos de jovens delinquentes, sobretudo em zonas suburbanas.

A oposição acusa, contudo, o executivo de privilegiar a segurança como instrumento de propaganda política, em detrimento de problemas estruturais como o acesso à habitação, a educação e as condições de vida nas áreas marginalizadas.

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